As Religiões e os Religiosos

Conversar sobre religião é sempre algo muito delicado, um campo minado, pois tendemos a ser muito fechados e conservadores, restritos àquilo que nossa religião nos ensina e costumamos não dar abertura para o avesso. Talvez por isso deixamos de trocar experiências que poderiam fazer diferença em nossas vidas. Assim, resolvi fazer um traçado acerca do assunto, sem a pretensão de chatear ninguém, trata-se apenas de uma opinião, e de opiniões a gente concorda ou discorda. Exponho meu pensamento a respeito dos fatos baseado na minha experiência pessoal, porém sem rodeios, como dizia o propositor da conscienciologia, Waldo Vieira: – “para determinados assuntos não se passa a mão na cabeça, tem que ser à base da “impacto-terapia”- é fratura exposta, soco na cara.”

Fui criado numa família Católica. Quando criança, minha mãe me mandava à missa todos os domingos de manhã e como eu não gostava da missa, ao chegar na igreja, me sentava à porta e ficava esperando terminar. Minha casa tinha vista para a igreja, apesar de ficar há uma certa distância, num belo domingo de sol minha mãe conseguiu me enxergar sentado na escadaria da igreja. Então, quando cheguei em casa ela me disse: “ -você não assistiu a missa! Eu te vi sentado do lado de fora da igreja!” e então me mandou de volta para assistir a do próximo horário. Como eu não iria assistir mesmo, entrei pela porta da frente e saí pela porta dos fundos. Já na adolescência, como eu era músico e também cantava, motivado pelos meus amigos da rua, entrei num grupo de jovens com o intuito de formarmos uma banda para tocar nos dias de reuniões. Assim fui, participei do grupo de jovens e toquei na banda alguns anos. Com isso passei a gostar de missa e até tocava quase todos os domingos, junto com meus companheiros. Participava de encontros da renovação carismática e foi um período muito bom e feliz na minha vida, da qual guardo profundas recordações.

Mas a verdade era que a igreja nunca havia me convencido. Sempre discordei de determinados assuntos que achava que não eram condizentes com a natureza humana. Eu pensava em algo além, porém, não conseguia enxergar e me entregava ao conformismo. Esta atitude também veio acompanhada da descrença em relação à religião, e com isso, me afastei novamente e desde então não frequento nenhuma religião. Eu pensava acerca da vida, da morte, da existência, do universo, dos extraterrestres e não encontrava aconchego nas respostas da igreja a que pertencia.

Nascemos, crescemos e morremos frequentando uma religião que muitas vezes nos foi herdada pelos vínculos familiares e nunca paramos para questionar qualquer coisa, pelo simples fato de que no que se refere à religião, não se questiona, simplesmente se aceita, como se fosse uma verdade absoluta e inquestionável:

Existe um Deus, que criou todas as coisas e no ultimo dia criou o homem à sua imagem e semelhança. Depois criou a mulher a partir da costela do homem. Quando morremos, vamos para o purgatório e quando recuperamos dos nossos erros, vamos para o céu e vivemos a eternidade no puro ócio e paralisia consciencial, adorando a esse Deus eternamente, pois é o topo do que o homem pode atingir, não há nada além, não há progresso. Outros, que excederam os limites, não tem o direito de passar pelo Purgatório, vão direto para o inferno, onde lamentarão eternamente (grifos meus).

Este é o pensamento que, em geral, rege a cultura Cristã de nosso mundo Ocidental. Dispensa-se dizer que este discurso já se encontra completamente fora de contexto e que nosso momento atual de inteligência adquirida nos permite ir além disso? Também tendemos a achar que nossa religião é a correta, que nosso Deus é o correto. Quando alguém aparece dizendo sobre alguma religião diferente criamos bloqueios pois temos muitos preconceitos e pré-conceitos. Por isso hoje temos tanta intolerância a ponto de chegar ao absurdo. Os “não praticantes” costumam batizar seus filhos numa religião que não tem o menor significado para eles, preocupados apenas em cumprir uma questão ritualística, por desencargo de consciência, pensando no que as pessoas vão achar ou com medo de sofrer alguma punição divina no futuro, pois este é o pensamento que foi enxertado em nossa consciência ao longo dos séculos. Acho que no passado a religião realmente teve a sua importância na formação moral do ser humano e até hoje vem servindo de freio moral para a humanidade, porém, à base do medo, do sacrifício consciencial dos seus seguidores. Já passamos de fase e hoje é preciso ir além! Sabendo disto e para continuar exercendo poder, as religiões mantém seus seguidores no cabresto, embutindo o medo e a insegurança, através de um Deus que é amor desde que você faça o que ele quer. As religiões não exercem o ofício de ser escola de libertação e esclarecimento mas sim, doutrinadora e manipuladora de massa. Esqueceram que sua base é a salvação através do esclarecimento. Não restrinjo estes comentários apenas para as religiões cristãs, mas para todas, pois todas possuem a sua limitação no âmbito consciencial, cometendo erros seculares e não se abrem para o novo, não evoluem.

Mas não posso deixar de enaltecer o que as religiões têm de bom, pois é claro que elas nos trazem em seu conteúdo importantes ensinamentos que muito contribuem para o nosso aprimoramento moral e espiritual. Ensinamentos que encontramos nos livros tidos como sagrados, como a Bíblia, o Torá, o Alcorão, os Vedas, a Tanakh, etc, que foram trazidos pelas pessoas nas quais as religiões designam “profetas”, mas que nos dias de hoje poderiam ser chamadas de médiuns, videntes, pessoas que se comunicavam com espíritos, pessoas que tinham clarividência avançada. Você pode estar se perguntando, já que o conteúdo das religiões são proveitosos, será que o problema não estaria no ser humano que está à frente? Eu digo que sim, é isto mesmo. As religiões estão sujeitas às transformações sofridas pelo homem e se o homem não evolui em consciência, a religião também não em seus fundamentos. O homem não se abriu à observação do que há á sua volta e os dirigentes das religiões, que não abrem mão do domínio consciencial da massa, continuam encontrando meios de manter este estado de ignorância geral. Hoje em dia, a igreja católica, através do seu novo Papa, vem caminhando a passos de tartaruga em sentido a uma abertura na sua filosofia, tendo em vista o advento das comunicações que torna mais fácil o esclarecimento e outras coisas mais, porém ainda está muito longe de chegar a uma abertura que realmente faça diferença na vida das pessoas e na sua doutrina. Mas, como disse anteriormente, todas as religiões possuem conteúdo válido e benéfico que contribuem para nossa melhoria como pessoa, então porque se manter fechado e não se abrir para o novo? Vou me utilizar de um texto de autor desconhecido para servir de útil exemplo.

“Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.

Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

– Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:

– Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes…

– Que palermice! – disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. – Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra…

– Ambos se enganam – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia…

– Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. – Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante…

– Vejam só! – Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. – Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.

E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.

Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!”

Este texto é um excelente exemplo de como se comportam as religiões e os religiosos desde o início dos tempos.

A crença em um ser supremo não é um patrimônio exclusivo do filósofo, também é do selvagem. Desde o início dos tempos, quando o homem se deu conta de que não poderia ter existido por si próprio, começou a render culto a um ente supremo. Podemos observar isto em todas as culturas, em todas as tribos espalhadas ao redor do mundo, cada uma com seu culto, cada uma com seu Deus, então por que não observamos as demais religiões como fonte de conhecimento adicional? Cabe a cada um de nós abrirmos nossa mente e saber filtrar o que todas tem a ensinar. Cristo ensina o amor, Buda a liberdade de consciência, o Taoísmo o desapego da vida material, a consciência em harmonia, o Islamismo, um único Deus, o Hinduísmo, a pluralidade de Deuses, o Espiritismo a reencarmação e o progresso e assim, se buscarmos nas diversas fontes, veremos que cada religião acaba se completando. Mas ainda temos que ir além, temos que desenvolver o discernimento e o bom senso para saber garimpar o que cada uma nos traz, pois não temos que acreditar em tudo sem questionamentos só por que veio de alguma fonte confiável, um livro tido como inquestionável, de uma pessoa tida como inquestionável, duvide de tudo, questione tudo, é preciso cortar as raízes dogmáticas. Nós podemos exercer a nossa liberdade de pensamento também no âmbito religioso pois o mundo atual não admite mais uma fé cega e o mais importante, precisamos viver nossas próprias experiências, que são a principal fonte de conhecimento que poderemos ter.

Particularmente, penso que estamos muito longe da verdade, em relação ao mundo, a Deus, a nossa existência, pois ela está muito além da nossa limitada compreensão, mas, se considerarmos que cada religião possui uma parcela de verdade e da importância de vivermos as nossas próprias experiências, juntando chegaríamos mais próximos do todo.

Talvez o maior obstáculo para se atingir tal objetivo reside no fato de que a maioria das pessoas ainda dependem de que alguém lhes mostre o caminho, alguém que sirva de ponte, não conseguem tocar o barco por conta própria e com isso as religiões entram para servir de muleta consciencial ao invés de veículo de libertação.

Vamos enxergar além! Busquemos construir por nós mesmos a nossa espiritualidade, abrindo nossa mente para novas fontes de conhecimento e vivenciando nossas próprias experiências. Práticas energéticas, projeção astral, meditação, yoga, podem nos conduzir a uma nova realidade, abrir a nossa mente para o infinito. Precisamos substituir a doutrina pela liberdade e o crer pelo saber. Quem crê, nunca vivenciou, apenas deposita sua confiança numa promessa; quando você vivencia, você já sabe como é, então a crença perde o sentido.

  • Consciência em Evolução – por Lindolfo Soares de Souza – em 14/06/2017.

Um comentário em “As Religiões e os Religiosos

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  1. Olá Lindolfo! Concordo com seu ponto de vista. Gostaria apenas de deixar a dica de um livro que considero interessante e talvez possa contribuir com a reflexão por vc proposta: “O Apelo do Dalai Lama Ao Mundo: A Ética é Mais Importante que a Religião
    Dalai Lama”. Abraço

    Curtido por 1 pessoa

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