Hipótese de Deus

Tudo o que a humanidade já pensou à respeito de Deus é mera hipótese!

A questão da existência ou não Dele é algo que talvez ainda esteja muito além do que temos acesso e, quem sabe, nunca tenhamos a certeza. Só nos resta supor, criar hipóteses numa situação em que tudo conspira a favor da Sua existência, o princípio criador, afinal, não poderíamos ser obra do acaso, mas será mesmo?

As religiões, na sua quase totalidade, existem baseadas na hipótese da existência Dele. Em todos os tempos várias foram as correntes místicas que consideraram a existência de um ou vários Deuses. Dos conceitos à respeito, encontra-se dos mais variados, desde os adotados por tribos primitivas aos princípios dogmáticos das religiões atuais. Ele tem sido definido por meio de atributos como a onisciência, onipotência, onipresença, suprema bondade, transcendente, eterno, etc. Pode ser o Cosmos, o universo ou uma imensa consciência que sustenta e equilibra tudo. Pode ser um ser antropomórfico que ama, perdoa, atende a pedidos e espera pacientemente a redenção dos seres humanos como poderia ter a personalidade forte, capaz de guardar rancor, se vingar, aceitar sacrifícios de sangue, ditar regras de obediência e castigar implacavelmente os infratores. Enfim, diversos entendimentos mas também há quem não procura defini-lo, não confirmam nem negam a existência Dele, preferem não se arriscar.

Muitos pensadores também deixaram suas conclusões para a análise do tempo. Dentre alguns, Osho nos diz que Deus criador não existe, pois, se existisse, não haveria evolução, não existiria progresso, tudo já teria sido criado no seu formato final. Karl Marx, que era ateu, dizia que a fé em Deus era uma ilusão que precisava ser derrubada afim de resgatar no homem a dignidade de sua interioridade infinita e a crença em um Deus, suprimia no homem esta consciência. René Descartes na obra “Princípios da Filosofia” explica: “ …é evidente não só que, do nada, nada se faz, mas também que não se produz o que é perfeito pelo que é menos perfeito… e porque de modo nenhum encontramos em nós aquelas supremas perfeições cuja ideia possuímos, disso concluímos corretamente que elas existem, ou certamente existiram alguma vez, em algum ser diferente de nós, a saber, em Deus. Muitas hipóteses e nenhuma certeza. Enquanto isso continuamos direcionando a ele nossas necessidades, alegrias e realizações, atribuímos à vontade Dele aquilo que foge à nossa explicação e ao nosso entendimento, sem levar em consideração uma segunda análise, uma segunda reflexão cuja resposta talvez encontraríamos oculto dentro de nós.

Aqui, de nada servem os livros sagrados nem a palavra dos “inquestionáveis”, afinal, ninguém que tenha passado sobre a face da Terra é inquestionável, todos os que experimentaram viver na carne humana foram mortais, disseram ou tiveram atitudes questionáveis, todos com seus limites, erros e acertos, assim como eu, assim como você. Muitos foram os mitos criados, muitos foram os objetivos explorados.

Ao enxergarmos o mundo à nossa volta, somos voltados a pensar na existência de um princípio criador de tudo e foi isto o que fizeram os nossos antepassados. Então já temos uma hipótese sobre o princípio do universo mas então qual seria a hipótese sobre o princípio de Deus? Ele também deve ter tido um princípio e se Ele teve um princípio, algo o precedia. Vendo isso é fácil compreender a postura do ateu, que prefere abster-se do que aderir a um argumento impossível de se confirmar ou convencer.

Em meio a esta confusão de pensamentos você pode estar se perguntando qual a minha hipótese à respeito de Deus. Pois bem, não atribuo a criação da humanidade à Consciência Divina, pois a humanidade é fruto de outras interferências, mas penso que aquele ou aqueles, que “administram” nosso Universo, (e que também, não necessariamente, criaram o universo), são entidades que também seguiram sua jornada evolutiva assim como nós, começando do zero, evoluindo, atingindo esferas mais elevadas a ponto de se tornar uma consciência tão elevada, capaz de assumir tamanhas responsabilidades. Penso que Aquele, ou Aqueles, que a tudo governam na realidade em que estamos inseridos, pelo menos no âmbito do nosso universo, são entidades (espíritos/consciências/conciexes) que ainda seguem sua jornada evolutiva, que, afinal, é eterna. Nossos antepassados rendiam culto a um Deus pois sentiam dentro de si a essência divina mas este sentimento talvez tenha sido interpretado de forma errada, talvez não seja pelo motivo de sermos criação Dele, mas sim, enquanto seres eternos que também somos, estamos em estágio de formação, somos Deuses no jardim da infância e também seguiremos uma eterna jornada evolutiva que nos permitirá, a seu tempo, realizar prodígios. Não penso na possibilidade de um Deus único, mas na existência de uma hierarquia estabelecida com base na evolução dos seres. Pelo menos são minhas conclusões atuais.

No livro dos espíritos, quando Allan Kardec questionou o suposto espírito superior quanto a natureza de Deus, este lhe respondeu que tal resposta não poderia ser dada, visto estar além da compreensão humana. Analisando a resposta dada, penso que além do espírito superior também não saber a resposta, se caso a soubesse, não poderia dá-la sob pena do resultado ser algo extremamente perturbador para uma humanidade tão dependente consciencialmente Dele, com tantas adorações e crenças, mas não que nos falte capacidade de entendimento, pois onde há inteligência há capacidade de entendimento. A respeito da hipótese de um Deus único, que é a predominante em nossa civilização, na ordem da criação, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Quem veio primeiro, Deus ou o Universo? Penso em uma só possibilidade, Deus teria sido fruto de uma evolução daquilo cujo início nos é impossível determinar, mas firmo a minha ideia de que assim como não existe um único universo, assim como ninguém habitará um só nível evolutivo, também não existe um único Deus. Pensar na possibilidade da não existência do Deus único, clarividente e justo do qual sempre acreditamos nos causa uma sensação de desamparo, abandono e fragilidade, pois precisamos Dele, afinal, qual seria o sentido de tudo?

E caso você esteja estranhando o conteúdo de todas estas palavras, por nunca ter imaginado abrir um questionamento à respeito disso, pode estar achando um absurdo tudo o que foi dito, pois realmente entra em conflito com o que foi estabelecido na nossa sociedade, mas já informo que o objetivo não é a de entrar em conflito, nem mesmo impor uma ideia equivocada quanto a existência ou não Dele, mas sim, convidar para uma nova reflexão. Precisamos abrir nossa consciência para o pensamento crítico, à respeito de tudo, inclusive para o que consideramos inquestionável e, para isso, muitas vezes é necessário guardar tudo o que aprendemos numa caixinha e providenciar outra vazia para preencher com coisas novas. Isso tem um nome, se chama: “Expansão da Consciência”, tão necessária nos dias atuais. Se você acha a discussão a respeito de Deus uma bobagem, uma perda de tempo, você está correto, afinal não chegaremos à lugar nenhum pois se a resposta foge à nossa condição, vamos seguir a corrente, nos juntar à multidão, mas são reflexões como esta que, como um grão de areia cuja a ostra forma uma pérola, atuam na consciência humana.

E então, já se permitiu traçar uma segunda hipótese à respeito de Deus?

  • Consciência em Evolução – por Lindolfo Soares de Souza – em 13/04/2018.

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