Formas Pensamento

Todos nós já ouvimos falar à respeito de vigiar nossos pensamentos. Hoje em dia se encontra muito generalizada a ideia do poder e influência dos pensamentos, apesar de ser um conceito conhecido, porém mal absorvido e não praticado. Quando pensamos, a influência dos pensamentos não atingem somente o pensador, mas também ao meio onde ele vive e atua. O que nem todos sabem, porém, é que os pensamentos formam “coisas” no mundo oculto; isto é, além de ser uma força, produzem definidas formas mentais, com cores próprias, segundo a natureza do pensamento, e com uma duração proporcional à intensidade da energia que o gerou. Essas formas mentais, conscientemente feitas e bem empregadas, podem produzir resultados surpreendentes enquanto subsistirem, por tempo variável de minutos a séculos.

Todo pensamento dá origem a uma série de vibrações que no mesmo momento atuam na matéria do corpo mental. Uma esplêndida gama de cores o acompanha. Sob este impulso, o corpo mental projeta para o exterior uma porção vibrante de si mesmo, que toma uma forma determinada pela própria natureza destas vibrações. Nessa operação mental se produz uma espécie de atração da matéria elemental do mundo mental, cuja natureza é particularmente sutil. Desta maneira, temos uma forma de pensamento pura e simples, uma entidade vivente, de uma atividade intensa, criada pela ideia que lhe deu nascimento. Por exemplo: quando um homem pensa num amigo, ele forma dentro do seu corpo mental uma imagem diminuta desse amigo, que frequentemente se exterioriza e comumente flutua no espaço, diante dele. Do mesmo modo, se um homem pensa numa casa, ou numa paisagem, dentro de seu corpo mental se formam imagens diminutas desses objetos, que logo se exteriorizam. O mesmo sucede quando a imaginação está em atividade. O pintor, ao conceber o quadro que se propõe executar, o constrói primeiramente com a matéria do seu corpo mental.

Se a energia que deu origem a esta forma pensamento é constituída pela matéria mais sutil, será tão poderosa quanto enérgica, e poderá, sob a direção de uma vontade firme, desempenhar um papel de alta transcendência. Quando a energia do homem é dirigida para o exterior, para os objetos desejados por ele, ou é empregada em atos de emoção ou paixão, esta energia tem então por campo de ação uma espécie de matéria muito menos sutil que a do plano mental: a matéria do mundo astral. O corpo astral, ou emocional, ou de desejos, dá origem a uma segunda espécie de entidades, em sua constituição geral, semelhantes às formas de pensamento que acabamos de descrever, mas limitadas ao mundo astral, e geradas pela mente dominada pela natureza animal. Estas formas são devidas à atividade da mente inferior, ao exteriorizar-se através do corpo emocional. Neste caso, as vibrações se estabelecem no corpo astral, e sob a sua influência este corpo projeta para o exterior uma porção vibratória de si mesmo, cuja forma é determinada, como no caso anterior, pela própria natureza das vibrações, a qual atrai para si algo da essência elemental do mundo astral. Uma forma de pensamento desta espécie tem por envoltura, a essência elemental atraída, e por centro, o desejo ou a paixão que a exterioriza. O poder da forma de pensamento dependerá da quantidade de energia mental combinada com este elemental de paixão ou desejo.

Por pequena e restrita que seja a forma de pensamento, quando ela sai do pensador, envolve-se de uma considerável quantidade de matéria astral e cresce até adquirir as dimensões de um ser vivente, antes de chegar ao seu destino. Cada pensamento bem definido produz um duplo efeito: uma vibrante radiação e uma forma suscetível de flutuar pelo espaço. Se o pensamento é perfeitamente simples, não põe em atividade mais do que uma espécie de vibração; portanto, apenas uma espécie de matéria mental será notavelmente modificada. Vejamos um exemplo: quando um homem se vê bruscamente sob a impressão de uma emoção, seu corpo astral é violentamente agitado e as suas cores habituais se vêem momentaneamente quase obscurecidas por uma onda de cores correspondentes ao grau vibratório da emoção particular. Esta modificação é momentânea, não dura mais que alguns segundos, e rapidamente volta o corpo astral a tomar o seu aspecto comum. Portanto, cada emoção súbita produz um efeito permanente: acrescenta sempre algo de sua própria cor ao matiz normal do corpo astral, de maneira que cada vez que o homem cede a uma emoção determinada, torna-se mais fácil ceder de novo, pois o seu corpo astral toma então o costume de vibrar de maneira análoga.

As vibrações radiadas de que acabamos de falar, como as vibrações de toda a natureza, debilitam-se à medida que se afastam do centro que as produziu e estas vibrações, tanto como as demais, tendem a reproduzir-se sempre que a ocasião seja favorável. Quando atuam em outro corpo mental, têm uma tendência imediata a sintonizá-lo com o seu próprio diapasão vibratório. Isto significa que no homem cujo corpo mental seja afetado por estas ondas, as vibrações tendem a produzir em sua mente pensamentos do mesmo caráter que os já formados anteriormente pela mente do pensador emissor da onda primitiva.

À distância a que atuam as correntes de pensamento, a força e o poder com que penetram na mente de outra pessoa, dependem da força e da nitidez do pensamento original. Sendo assim, vamos comparar o pensador a alguém que esteja discursando. Sua voz põe em movimento ondas sonoras que, partindo dele em todas as direções, levam sua palavra aos que estão distantes. Se sua voz é potente, e se a elocução é clara, a distância percorrida por esta onda pode ser grande. O mesmo ocorre com um pensamento enérgico, o qual vai muito mais longe do que um pensamento fraco ou pouco definido. Por último, do mesmo modo que a voz do orador chega a ouvidos desatentos, assim, também, quando os homens estão distraídos em seus prazeres ou outras preocupações, poderá roçá-los uma corrente de pensamento sem o perceberem.

A vibração radiada leva consigo o caráter do pensamento que a anima, mas não o próprio assunto desse pensamento. Um hindu, em sua meditação, pensa em Krishna; a onda de pensamento dele emanada despertará pensamentos de devoção em todos aqueles que ela alcance, e consequentemente, um maometano adorará Alá; um zoroastriano, a Auramazda; um cristão, a Jesus. Um homem que pense fortemente em coisas elevadas, emitirá vibrações que levantarão o pensamento dos demais ao mesmo nível, porém sem que neles reproduza a mesma imagem que lhe ocupe a mente. Essas vibrações influem naturalmente com uma força maior nas pessoas já habituadas a vibrações similares. Não obstante, elas exercem também sua ação nos corpos mentais com que entram em contato, de sorte que a sua tendência é despertar o poder do pensamento superior naqueles em que ainda permanece passivo.

Sobre outro efeito do pensamento, que é a criação de uma forma definida, a essência Elemental é uma manifestação semi-inteligente que nos rodeia, vivificando ao mesmo tempo a matéria do plano astral e do plano mental. Essa matéria se amolda muito facilmente à influência do pensamento humano. Todo impulso que brote do corpo mental ou do corpo astral, cria imediatamente uma espécie de veículo temporário, que se reveste dessa matéria vitalizada. Assim, um pensamento ou um impulso se converte durante determinado tempo numa espécie de entidade vivente, cuja alma será a forma de pensamento, e a matéria vivificada, o corpo.

Se o pensamento ou os sentimentos de um homem são projetados sobre uma pessoa determinada, a forma de pensamento irá diretamente a ela e lhe afetará os veículos astral e mental e produzem efeitos bem definidos; estes efeitos são, em parte, reproduzidos na aura de quem recebe os pensamentos, e neste caso fortalecem o seu conjunto ou são repelidos. Um pensamento cheio de amor e de desejo de proteger, dirigido com energia a um ser querido, cria uma forma que vai para esta pessoa e permanece em sua aura como um guardião, ou um escudo. Esta forma de pensamento buscará todas as ocasiões de ser útil, todas as oportunidades de proteger e defender a pessoa para quem foi enviada, mas não por um ato consciente e voluntário, mas sim, por uma obediência cega ao impulso que a criou. O resultado será fortalecer as correntes benéficas que estão na aura, e debilitar as correntes perniciosas que poderiam achar-se nela, deste modo, criamos e mantemos verdadeiros guardiães. Uma mãe, ao orar por seu filho, têm construído barreiras protetoras ao seu redor, embora não se saiba como puderam suas orações ser tão eficazes.

No caso em que pensamentos maus ou bons são projetados para determinadas pessoas, com o fim de levarem a cabo alguma missão, devem encontrar na aura de quem os recebe materiais capazes de responder às suas vibrações. Nenhuma combinação de matéria pode vibrar fora de certos limites, e se a forma de pensamento está além dos limites em que a aura é capaz de vibrar, não poderá afetá-la. Por conseguinte, o pensamento retrocede para quem o gerou com uma força proporcional à energia empregada para projetá-lo. Por isto se tem dito que um coração puro e um espírito elevado são os melhores protetores contra o assalto dos pensamentos de ódio, criando um verdadeiro muro intransponível. Um pensamento invejoso ou de ódio, posto em movimento com fins perversos, ao encontrar e tocar uma aura pura como o exemplificado, é repelido e retrocede com toda a sua energia, seguindo até o seu progenitor, ferindo-o. Como na matéria de que se compõem os seus corpos astral e mental, o progenitor possui elementos semelhantes que constituem esta forma de pensamento; às vibrações desta se somam as outras correspondentes, e finalmente o criador do mau pensamento sofre justamente o mal que quis fazer ao outro.

Se o pensamento é pessoal ou egóico, se o ser que o gerou não pensa senão em si mesmo (como sucede a maior parte das vezes), a forma vagará constantemente próximo ao seu criador, sempre pronta a atuar sobre ele próprio, tantas vezes quantas o encontre em estado passivo. Por exemplo: um homem que ceda frequentemente a pensamentos impuros, poderá esquecê-los enquanto permaneça envolvido na corrente diária de suas atividades, e não obstante isso, as formas de pensamento flutuam sobre ele, qual uma espessa nuvem, pois toda a sua atividade mental está dirigida em outra direção e o seu corpo astral é sensível apenas a vibrações similares. Mas quando as atividades exteriores diminuem, quando essa pessoa se entrega ao descanso depois do trabalho, e a sua mente está passiva, perceberá a corrente daqueles pensamentos dirigir-se para si. Se a sua consciência está desperta até certo grau, ele se atentará do fato e pensará que algo externo está interferindo, contudo, a verdade é que tal perturbação não vem do exterior, senão em aparência, na realidade é a reação de suas próprias formas de pensamento.

Se o pensamento não se dirige especificamente para alguém, se não se fixa no ser a quem é enviado, flutua simplesmente na atmosfera, radiando sem cessar vibrações análogas às que têm sido postas em movimento pelo seu criador. Se o pensamento não se põe em contato com outros corpos mentais, esta vibração diminui gradualmente em energia e termina com a dissolução da forma de pensamento. Se, ao contrário, esta vibração consegue despertar num corpo mental próximo uma vibração simpática, as duas vibrações se atraem e a forma de pensamento é, geralmente, absorvida por este novo corpo mental.

Três são os princípios gerais governam a produção de todas as formas de pensamento: 1º — A qualidade dos pensamentos determina a sua cor; 2º — A natureza dos pensamentos determina a sua forma; 3º— A precisão dos pensamentos determina a nitidez dos seus contornos. Cada pensamento produz uma forma e a repetição do mesmo pensamento, não necessariamente, cria outra forma, mas sim, fortalece e define melhor a primeira. A repetição de determinados pensamentos aumentam em força e poder a referida forma pensamento, que, na condição de um ser semi-inteligente, busca meios de prolongar sua vida através do estimulo do pensamento gerador, de modo que muitas vezes se torna muito difícil se ver livre de tal pensamento, por ação deste Elemental que age incessantemente sobre o indivíduo.

Com base na absorção do conteúdo acima exposto, um misto de esclarecimento e de estarrecimento se movimenta dentro de nós, ante a constatação de tal realidade. A responsabilidade que sempre carregamos em relação aos nossos pensamentos, a partir de então, torna-se mais pesada tendo em vista a consciência adquirida. Porém, ao contrário do que possa parecer, ao invés de tal conhecimento se tornar um fardo em nossas vidas, podemos utiliza-lo para agir em nosso favor e, assim, transformar nossas vidas, o que também não deixa de ser uma missão igualmente desafiadora. De posse de tal conhecimento encontramos os meios necessários para agir e transformar nossos pensamentos em verdadeiros aliados. Deixo algumas dicas para isso.

É desnecessário recordar que a vida tem sempre um lado oculto; que cada um de nossos atos, cada uma de nossas palavras e de nossos pensamentos repercutem todos no mundo invisível que sempre está próximo de nós. Geralmente estes resultados invisíveis são de importância muitíssimo maior do que os fenômenos visíveis no plano físico. Mas, conhecer a ordem das coisas nos ajuda a ordenar nossas vidas de acordo com elas. Utilizar-nos de pensamentos elevados em relação a nós e às outras pessoas passa agora a ser uma regra, pois assim, geramos formas que trabalhão em nosso auxilio e das outras pessoas. Quando oramos por alguém, o pensamento sincero criará formas com elevado poder que trabalharão com todo o empenho possível a favor de seu objeto. Muitas de nossas orações são atendidas não graças ao santo a quem se pediu, mas sim, pela atuação implacável das formas pensamentos que geramos com o vigor de nosso pensamento, sentimento e energia.

Ao nos vermos assaltados por determinados pensamentos indesejados, procuremos substituí-los imediatamente por outros, mais elevados. Uma mudança de frequência vibratória atua naturalmente como uma barreira aos veículos Elementais indesejados e abre as portas para os realmente desejados. Podemos atingir isto, por exemplo, se ocupando de outra atividade. Supomos que constatamos a presença de tal pensamento indesejado; logo, buscamos mudar nossa frequência praticando algo que demanda certo emprego de concentração, como fazer uma oração, cantar uma determinada canção ou tocar um determinado instrumento, ler um determinado livro. Esta atitude ajuda a mudar o foco do pensamento e, à posteriori, devemos substituir o pensamento invasor por aquele proporcionalmente inverso a ele, em questão de qualidade e elevação. Desta forma, a cada rejeição, o pensamento invasor se verá enfraquecido até o momento em que se diluirá e nos veremos livre dele. Lembremos que gravitam em torno de nós, pensamentos que alimentamos inconscientemente a muito tempo e, por isso, podemos nos ver diante de um verdadeiro combate interior. Manter elevado o nosso padrão vibracional é forte aliado nesta condição, pois, conforme dito, forma barreiras naturais a estes elementos. Praticar boas ações, meditar, orar, ajudam muito na ocasião. Este é o bom combate, aquele que nos conduz ao crescimento verdadeiro e, para isso, guardemos também a verdadeira fé.

  • Consciência em Evolução – Por Lindolfo Soares de Souza – 26/10/2018.

 

Referências:

Besant, A.; Leadbeater C.W. Formas de Pensamento – Editora Pensamento. São Paulo – SP.

Leadbeater, C. W. O Homem Visível e Invisível – Editora Pensamento. São Paulo – SP.

 

2 comentários em “Formas Pensamento

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